"É pegar ou largar". Teerão avisa Trump que "não há outra escolha" senão aceitar proposta iraniana

"É pegar ou largar". Teerão avisa Trump que "não há outra escolha" senão aceitar proposta iraniana

O Irão respondeu a Donald Trump depois de este ter classificado de "estúpida" a resposta desse país à proposta de paz norte-americana.

Joana Raposo Santos - RTP /
Foto: Majid Asgaripour - WANA via Reuters

O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou esta terça-feira que a resposta iraniana à proposta dos Estados Unidos deve ser aceite tal como está, caso contrário as negociações para pôr fim à guerra de forma duradoura vão fracassar.

"Não há outra escolha senão aceitar os direitos do povo iraniano, tal como estabelecidos na proposta de 14 pontos. Qualquer outra abordagem seria infrutífera e conduziria apenas a uma sucessão de fracassos", escreveu Ghalibaf na rede social X.

Dirigindo-se aos negociadores americanos, o responsável avisou que "quanto mais protelarem, mais os contribuintes americanos pagarão o preço".

As declarações surgem um dia depois depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter afirmado que a proposta iraniana era boa "para ir para o lixo".


"O cessar-fogo está em estado crítico, como quando o médico entra e diz: 'Senhor, o seu ente querido tem exatamente 1% de hipóteses de sobreviver'", disse Trump em conferência de imprensa na Casa Branca na segunda-feira.

"Diria que está no ponto mais frágil agora, depois de ler aquele lixo que nos enviaram", acrescentou. "É uma proposta estúpida e ninguém a aceitaria".As exigências de Teerão
O conteúdo da proposta inicial de Washington, à qual o Irão respondeu, não foi divulgado. Segundo alguns órgãos de comunicação, o documento contém um protocolo de uma página para pôr fim aos combates e estabelecer um quadro de negociações sobre a questão nuclear.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, na sua resposta Teerão apela ao fim imediato das hostilidades na região, incluindo no Líbano, onde Israel continua a combater o Hezbollah pró-iraniano, e ao fim do bloqueio dos seus portos pela Marinha norte-americana.

O Irão exige ainda o desbloqueio dos ativos iranianos detidos no estrangeiro, há muito alvo de sanções norte-americanas.

Esta terça-feira, o porta-voz do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, alertou que o país poderá enriquecer urânio até 90 por cento de pureza, um nível considerado adequado para fins militares, caso o Irão seja novamente atacado.

c/ agências
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